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Podcast "Território e Tempo"|A Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte na voz de José Ricardo Soares Prado|Ep.06

  • Foto do escritor: Sónia Cunha
    Sónia Cunha
  • 18 de jan.
  • 2 min de leitura

Palavras Chave: Sítio Arqueológico, Conjunto do Carmo, Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte, Território, Tempo, Arqueologia, Patrimônio Cultural, Prospecção Arqueológica, Resgate Arqueológico, Salvamento Arqueológico, Laboratório, Patrimônio Material, Patrimônio Imaterial.


O sexto episódio do podcast "Território e Tempo" traz o testemunho de José Ricardo Soares Prado, atual Provedor da Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte em Santos, instituição que há séculos preserva tradições de fé, solidariedade e memória coletiva. Aos 77 anos, José Ricardo exerce seu terceiro mandato à frente da confraria, cargo que ocupa até 2026, e mantém uma trajetória de mais de quatro décadas de dedicação à vida religiosa e comunitária.

Sua ligação com a confraria começou em 1982, quando ingressou juntamente com familiares, a convite de um tio. Desde então, a instituição tornou-se um espaço de continuidade afetiva e espiritual para várias gerações de sua família, envolvendo filhos, noras, genros e netos.

As origens da Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte remontam à comunidade negra de Santos, com sede inicial na antiga Igreja do Rosário, na Praça Rui Barbosa. Posteriormente, a confraria foi transferida para o Convento do Carmo, onde permanece até hoje. O primeiro estatuto conhecido data de 1920, sendo atualizado em 2010, em conformidade com o Código Civil Brasileiro.

A confraria possui estrutura administrativa organizada, porém inteiramente voluntária. Sua principal função é assegurar sepultamento digno aos irmãos confrades, mediante contribuição anual que garante sepultura gratuita por cinco anos em jazigos próprios no Cemitério do Paquetá. José Ricardo explica que também há um ossário geral, reformado em sua gestão, revestido em granito preto e decorado com azulejos portugueses que retratam a morte de Nossa Senhora, símbolo máximo da devoção da irmandade.

Durante a entrevista, José Ricardo refletiu sobre o provável traslado dos restos mortais de antigos confrades da Igreja do Rosário para o ossário atual, em função das reformas urbanas e das reestruturações dos cemitérios municipais no século XIX. Ele mesmo coordenou parte das obras de revitalização, reforçando o compromisso da confraria com a preservação da memória de seus membros.

Atualmente, a Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte conta com cerca de 500 membros ativos. As celebrações incluem a missa compromissal, realizada no primeiro domingo de cada mês, seguida de procissão, orações pelos falecidos e confraternização. Para além de sua dimensão religiosa, a confraria atua como elo social e comunitário, sustentando práticas de solidariedade e pertencimento.

José Ricardo também recorda outras irmandades historicamente ligadas ao Carmo, como a Irmandade de Nossa Senhora das Dores, a Irmandade do Senhor dos Passos e a antiga Irmandade do Rosário. Menciona ainda a existência de um painel de Benedito Calixto, originalmente vinculado ao conjunto, e comenta as transformações urbanas que alteraram o cotidiano do centro histórico de Santos, hoje marcado por esvaziamento populacional, retração do comércio e redução da vida comunitária.

Seu depoimento oferece um panorama sensível e detalhado sobre a história, a organização e o significado cultural da Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte, revelando as inter-relações entre religiosidade popular, práticas funerárias e as transformações do espaço urbano santista.


Arte de Capa do Podcast "Território e Tempo" Ep.06.

Figura 1: Arte de Capa do Podcast "Território e Tempo" Ep.06. Fonte: Sónia Cunha | HV Arqueologia (2025).


Ep.06:

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