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Podcast "Território e Tempo"|Marlene Mazzei: A devoção e a história da Irmandade Terceira do Carmo de Santos | Ep.05

  • Foto do escritor: Sónia Cunha
    Sónia Cunha
  • 18 de jan.
  • 2 min de leitura

Palavras Chave: Sítio Arqueológico, Conjunto do Carmo, Irmandade Terceira do Carmo de Santos, Território, Tempo, Arqueologia, Patrimônio Cultural, Prospecção Arqueológica, Resgate Arqueológico, Salvamento Arqueológico, Laboratório, Patrimônio Material, Patrimônio Imaterial.


O quinto episódio do podcast "Território e Tempo" nos apresenta a trajetória de Marlene Mazzei, educadora e integrante da Irmandade Terceira do Carmo de Santos, cuja história pessoal se entrelaça com a memória religiosa e urbana da cidade.

Formada em pedagogia, Marlene dedicou grande parte de sua vida à educação, desenvolvendo práticas inovadoras de catequese e de formação infantil. Já próxima da aposentadoria, passou a integrar a Ordem Terceira do Carmo, instituição leiga de profunda tradição devocional ligada aos conventos carmelitas desde o século XVI.

Em sua entrevista, Marlene recorda que a presença da Ordem do Carmo no Brasil remonta à chegada do carmelita português Pedro Ivo, por volta de 1580, e à subsequente expansão de norte a sul, de Pernambuco a Santos. Em solo santista, a Ordem Terceira assumiu papel social relevante, reunindo membros da elite local e promovendo ações religiosas e assistenciais que marcaram a vida comunitária da cidade.

A atual igreja do Carmo, inaugurada em 1752, corresponde à segunda edificação, erguida após a demolição do antigo convento da Rua do Comércio. Ao longo do tempo, o conjunto passou por diversas intervenções — como a reforma do claustro e a transferência de restos mortais em 1925, a substituição do piso original no século XIX e a reconstrução do altar após o incêndio de 1940. Parte importante da documentação histórica se perdeu em outro incêndio, o que torna os relatos orais e a memória viva da comunidade ainda mais valiosos.

Marlene relembra também a dimensão funerária da Ordem, que possuía concessões no Cemitério do Paquetá e realizava sepultamentos de leigos consagrados em seu interior, dos quais restam apenas três lápides identificadas. A partir da chegada de Frei Lino de Oliveira, em 1998, teve início um processo de revitalização da vida comunitária, com novos investimentos em espiritualidade, formação e abertura à população.

Entre as práticas devocionais ainda presentes, destacam-se a devoção às “13 almas” e o uso do escapulário carmelita, símbolo de consagração ligado à tradição de São Simão Stock. Marlene acredita que a restauração do Conjunto do Carmo poderá reaproximar os fiéis e fortalecer o vínculo entre o espaço histórico e a cidade contemporânea, promovendo uma nova fase de vitalidade religiosa e cultural.

Natural de Santos, Marlene viveu por décadas no centro histórico e testemunhou as transformações urbanas ocorridas entre os anos 1950 e 1970, um período de intensa vida comercial e social que cedeu lugar à expansão para a orla e ao esvaziamento populacional da área central. Suas memórias revelam um passado vibrante e ajudam a compreender os desafios atuais da conservação patrimonial e da reocupação do centro histórico.


Arte de Capa do Podcast "Território e Tempo" Ep.05.

Figura 1: Arte de Capa do Podcast "Território e Tempo" Ep.05. Fonte: Sónia Cunha | HV Arqueologia (2025).


Ep.05:

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