Podcast "Território e Tempo"|Ney Caldatto Barbosa e o Conjunto do Carmo de Santos: História, Arquitetura e Preservação|Ep.07
- Sónia Cunha

- 18 de jan.
- 3 min de leitura
Palavras Chave: Sítio Arqueológico, Conjunto do Carmo, Arquitetura, Formação Urbana, Território, Tempo, Arqueologia, Patrimônio Cultural, Prospecção Arqueológica, Resgate Arqueológico, Salvamento Arqueológico, Laboratório, Patrimônio Material, Patrimônio Imaterial.
O sétimo pisódio do podcast "Território e Tempo" apresenta uma conversa com o arquiteto, professor e pesquisador Ney Caldatto Barbosa, que oferece uma leitura aprofundada sobre a formação urbana e patrimonial de Santos, com ênfase no Conjunto do Carmo, um dos mais expressivos marcos arquitetônicos coloniais do litoral paulista.
Doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) e autor da tese “Vila de Santos: Gentes e Morfologia Urbana dos Séculos XVI a XVIII”, Caldatto possui trajetória consolidada na área de conservação e restauro de bens culturais. Atuou em órgãos de preservação e em programas de requalificação urbana, como o Alegra Centro, voltado à revitalização do núcleo histórico santista.
A entrevista busca compreender os processos de formação da Vila de Santos, a importância simbólica e arquitetônica do Conjunto do Carmo e os desafios contemporâneos da preservação diante das transformações urbanas recentes. Segundo o pesquisador, o desenvolvimento da cidade ocorreu de forma singular em relação ao modelo português tradicional — em vez de se fixar em colinas, Santos se consolidou sobre a planície voltada ao canal do estuário, com uma ocupação moldada pelo meio físico e pelas atividades portuárias emergentes.
O traçado urbano colonial formou-se em torno da antiga Rua Direita, eixo que concentrava moradias, atividades comerciais e templos religiosos. Embora grande parte dos vestígios materiais tenha desaparecido, permanecem marcos fundamentais que permitem reconstituir a paisagem da vila colonial, como a Capela do Monte Serrat, a Casa do Trem Bélico, o Mosteiro de São Bento, o Convento de Santo Antônio do Valongo e o próprio Conjunto do Carmo, datado do século XVIII.
Caldatto detalha que os carmelitas chegaram a Santos em 1589, convidados por Brás Cubas, e receberam doações de terras e edificações. As obras do convento e da igreja se desenvolveram entre 1608 e 1640, incluindo a edificação da capela da Ordem Terceira. Ao longo dos séculos XVIII ao XX, o conjunto passou por sucessivas ampliações e modificações, entre elas uma demolição parcial na década de 1960, mas preservou seu valor artístico e arquitetônico, refletindo distintas fases construtivas — do barroco paulista às intervenções ecléticas posteriores.
Apesar de sua relevância, o Conjunto do Carmo nunca passou por uma restauração integral, tendo recebido apenas ações pontuais de manutenção. Atualmente, existe um projeto abrangente de restauro voltado à recuperação de telhados, pisos e instalações, com o propósito de valorizar sua integridade estética e arquitetônica.
Entre os principais desafios contemporâneos, o arquiteto destaca a pressão imobiliária sobre o entorno histórico, a descaracterização de áreas cívicas e religiosas, a perda de vínculos simbólicos da população com o centro e a transformação de espaços patrimoniais em locais de passagem ou consumo turístico. Para ele, a superação desses impasses exige integração entre pesquisa, preservação e gestão pública, de modo que a conservação do Carmo se insira em uma política mais ampla de valorização da memória urbana de Santos.
O depoimento de Ney Caldatto reforça o papel do Conjunto do Carmo como marco fundamental da formação urbana, histórica e identitária da cidade, reconhecendo sua importância patrimonial em âmbito estadual e nacional.

Figura 1: Arte de Capa do Podcast "Território e Tempo" Ep.07. Fonte: Ney Caldatto Barbosa (2024).
Ep.07:




